A praga da corrupção disseminou-se pelo país. Infecção generalizada. E um dos principais focos concentra-se no funcionalismo público. Esse é o resultado – desalentador – da pesquisa realizada pela Universidade de Brasília, a pedido da Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
A pesquisa compreendeu duas etapas. De março a abril deste ano foram entrevistadas 2 mil pessoas da sociedade civil em todos os Estados. Na segunda, os entrevistados foram funcionários públicos federais, estaduais e municipais, num total de 1.027 e em 6 estados: Paraíba, Minas, Paraná, São Paulo, Rio e Distrito Federal.
Especificamente em relação aos funcionários públicos, praticamente 1 em cada 4 descumpriu a lei, e 1 em cada 5 já cobrou propina para facilitar o atendimento de uma demanda legítima de um cidadão. 51,3% dos servidores se consideram éticos, 11,9% vêem a profissão que exercem com desprezo, 26,7% dizem que a categoria não está voltada para o interesse público, e 55,7% consideram os funcionários “amadores” ou “semiprofissionais”.
Em entrevista para o Estadão, o professor da UnB Ricardo Caldas, coordenador da pesquisa afirmou que os resultados da pesquisa, e o elevado grau de corrupção e desrespeito às leis, “é decorrência de nossa cultura e de nossa formação patrimonialista... Não há uma separação clara entre público e privado...”. “Nos últimos 20 anos, desde a nova Constituição, com certeza o padrão da classe política e os valores morais caíram...”. Perguntado se o funcionário público de hoje é mais ético do que os de ontem, Ricardo Caldas afirmou, “baseado não na pesquisa, mas em fatos e na realidade que a gente acompanhou, está havendo uma flexibilização dos padrões de conduta”.
Mas, e, assim mesmo, não devemos desanimar; jamais, conforme coluna da Landmarketing.
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