domingo, 28 de dezembro de 2008

Crianças usadas como empregadas domésticas em situação escrava

Reportagem publicada no jornal The Washington Post, feita por Kevin Sullivan, aborda o comércio mundial e ilegal de crianças, adolescentes, em geral meninas, usadas como empregadas domésticas, vítimas de exploração e abusos, que muitas vezes trabalham em condições escravas.
A matéria conta a história da menina Adiza, 10 anos, que a exemplo de tantas outras deixam suas comunidades rurais para trabalharem como domésticas na casa de outras famílias residentes nas cidades.

A história que Sullivan narra aconteceu em Lomé, cidade litorânea com 700 mil habitantes, de Togo (África), antiga colônia francesa. Togo tem uma das mais elevadas taxas de tráfico de escravas domésticas do mundo.
O número de meninas, que muitas vezes são mandadas até para o exterior para serem empregadas domésticas cresce nos últimos anos, de acordo com especialistas em direitos humanos.

As meninas são empregadas para lavar, passar, cozinhar e sequer recebem salários, e geralmente sofrem abusos dentro desses lares. Drama que ocorre longe dos olhos públicos.
De acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), agência das Nações Unidas, sediada em Genebra, as moças, em média com 16 anos, trabalham no serviço doméstico. São as trabalhadoras mais exploradas. Poucas nações têm leis adequadas à proteção dessas jovens. Grupos de direitos humanos afirmam que as famílias localizadas no interior desses países, muitas vezes enviam essas meninas para o trabalho, com boa intenção, pois desconhecem os riscos e abusos da situação, em geral acreditam que a oportunidade seja uma forma de fugir da pobreza das aldeias.
Os empregadores, muitas vezes, são apenas marginalmente melhores em suas condições econômicas, eles buscam demonstrar para o meio social que estão abastados e podem pagar para alguém fazer as tarefas domésticas. Querem mostras uma falsa aparência de prosperidade.
Na Indonésia, segundo a Human Rigths Watch estão documentados quase 150 casos de trabalhadoras domésticas que se suicidaram nos últimos anos em Singapura, atirando-se de janelas de apartamentos. Na Arábia Saudita, milhares de meninas e mulheres do Sri Lanka, Filipinas, Indonésia e outras nações fogem de patrões que cometem abusos.
Em Lomé, por ano, centenas de meninas procuram proteção contra empregadores deste tipo.
Elas lotam os abrigos, muitas com rostos, costas e braços cobertos de contusões e queimaduras.
Em geral, possuem pouca ou nenhuma escolaridade e sem qualificação, acabam destinadas aos afazeres domésticos. Saem de suas aldeias para trabalharem em Lomé na casa de outras famílias.
Muitas outras meninas, porém, são enviadas para países vizinhos, como a Nigéria, ou locais longínquos como a França, Alemanha, Líbano e Arábia Saudita.
Segundo Roger Plant, alto funcionário da OIT, “esta é uma tragédia humana alarmante para qual
o mundo ainda não acordou”.


Veja a matéria original em inglês.

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