terça-feira, 19 de agosto de 2008

AMB, uma voz do Judiciário, de bem com a mídia


Você pode até discordar, mas não pode ficar indiferente ao trabalho da AMB (Associação dos Magistrados do Brasil) no cenário político brasileiro. Um exemplo disso são os desdobramentos da Campanha Eleições Limpas lançada em 2006 pela entidade e que continua tendo destaque na mídia. Criada em 1949, a instituição reune 13.726 juízes em todo o Brasil, e não perde espaço na mídia, quando se trata de divulgar seus posicionamentos.

Exemplo recente é que logo após a decisão do STF - desfavorável ao pedido da AMB - que liberou os candidatos com processos judiciais para disputarem as eleições, isso no dia 6/8, a entidade não perdeu tempo e logo em seguida, no dia 12/8, divulgou pesquisa inédita trazendo o Perfil do Eleitor brasileiro, outro sucesso de mídia, tal qual o lançamento da Lista Suja.

A postura da instituição está em sintonia com a sua missão que " tem como principais objetivos a defesa da magistratura, a sua aproximação com a sociedade e a participação nos grandes debates nacionais", conforme esclarece em seu site.

Se de um lado, a entidade que reúne os magistrados brasileiros é dinâmica e atua bem na mídia, já não podemos dizer o mesmo do próprio Poder Judiciário, pois a tônica é de uma relação pouco confortável com a imprensa.

Alguns, inclusive, citam tantas vezes a necessidade de censurar a liberdade de imprensa, que logo, seremos obrigados a colocar receitas de bolo para preencher os espaços das notícias à exemplo, do que ocorria com o Estadão, em sua história recente entre as décadas de 60 e 70. Se isso realmente ocorresse, o Google teria no Brasil o maior catálogo de receitas culinárias do mundo!

Mas voltando ao case de sucesso da AMB na mídia, arrisco um palpite básico, a entidade faz o planejamento de suas ações, a médio e longo prazo e embora mude sua diretoria de 3 em 3 anos, a continuidade de seus projetos e a conexão com a mídia nunca são relegadas a segundo plano pela nova diretoria.




Por outro lado

Já no poder Judiciário a aproximação ou não com a imprensa depende do posicionamento do presidente do Tribunal, ele dá o tom de como deve se dar essa relação. Com isso, a cada nova gestão, vivemos períodos de aproximação e distanciamento. Perdem nesse ciclo vicioso os dois lados, a mídia porque deixa de ter profissionais especializados para acompanhar e conhecer os caminhos da Justiça.

Do outro, o Judiciário que deixa de ser compreendido pela população, em entrevista ao Estadão, a cientista política Maria Tereza Sadek, especialista da área, disse que de um lado, no Brasil temos "milhões de pessoas excluídas de direitos. Primeiro, porque sequer os conhecem. Segundo, porque têm descrença no juízo".

O povo somente poderá compreender a Justiça se conhecer seus direitos, e o caminho para isso acontecer é através da mídia, além da boa educação.


Enfim, longe dessa discussão segue a AMB, a maior associação de magistrados no país e no mundo - conforme declara em seu site - apoiando mais um projeto de iniciativa popular que prevê novos casos de inelegibilidade de candidatos.
Confira o link.

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